Era ainda uma criança quando conheci o Bairro Peixoto. Morava em Copacabana e ia para escola, situada em Botafogo, nos vagarosos e charmosos bondes. Certo dia, estando atrazada, fui com o meu irmão pegar na pracinha do Bairro Peixoto um onibus que ali fazia ponto final. Que aventura e que emoção! Pois naquela época eu só andava de carro ou nos antigos bondes elétricos.

 Notícia nos Jornais! Vão implodir um prédio na rua Décio Vilares. Quanta gente! Que confusão! E lá estava eu, uma adolescente, no meio da multidão. Muita poeira, muita gritaria quando o prédio foi ao chão. Quanto tumulto e que emoção!

 

Com o passar dos anos, sendo mãe pela primeira vez, foi na pracinha do Bairro Peixoto que levei meu filho pequenino para o primeiro banho de sol. Quanto amor e dedicação!

E agora, como artista plástica, passeando com meus cachorros, descobri nas árvores do Bairro Peixoto troncos humanos contorcidos com seus braços erguidos como que implorando ao nosso Deus Criador proteção para a nossa amada Mãe Natureza. E foi num dia muito triste, com lágrimas nos olhos, que vi a minha árvore musa, razão de muitas inspirações, toda cortada em pedaços espalhados pelo chão. Quanta tristeza e que desilusão!

 

Ah! Bairro Peixoto querido, tão presente em minha vida e fonte de tantas recordações. Agora, aqui no Café Vommaro, nas noites encantadas do Dizer Poesia, fui despertada para mais uma forma de expressão: A magia do fazer poesia.

 

 

 

 

 

 

 

RECORDAÇÕES

Regina Helena Conde